sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CURSO- MUNDOS TRANSITÓRIOS



Mundos transitórios – Percepções, sensações e sofrimentos dos Espíritos – Livro dos Epíritos, cap. VI– (questões 234 a 236)

234) Existem, como foi dito, mundos que servem de estações ou de lugares de repouso aos espíritos errantes?
Sim, há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que eles podem habitar temporariamente, espécie de acampamentos, de lugares em que possam repousar de erraticidades muito longas, que são sempre um pouco penosas. São posições intermediárias entre os outros mundos, graduados de acordo com a natureza dos espíritos que podem atingi-los, e que neles gozam de maior ou menor bem estar.

234.a ) Os Espíritos que habitam esse mundo podem deixá-los à vontade?
Sim, os Espíritos que se encontram nesses mundos podem deixá-los, para seguir o seu destino. Figurai-os como aves de arribação descendo numa ilha, para recuperarem suas forças e seguirem avante.

235) Os espíritos progridem durante essas estações nos mundos transitórios?
Certamente. Os que assim se reúnem tem o fito de se instruírem em poder mais facilmente obter a permissão de ir a lugares melhores até chegar à posição dos eleitos.

236 ) Os mundos transitórios são, por sua natureza especial, perpetuamente destinados aos Espíritos errantes?
Não, sua posição é apenas temporária.

236.a) São eles ao mesmo tempo habitado por seres corpóreos?
Não sua superfície é estéril. Os que os habitam não precisam de nada.

236.b) Essa esterilidade é permanente e se liga a sua natureza especial?
Não, são estéreis transitoriamente.

236.c) Esses mundos seriam, então desprovidos de belezas naturais?
A natureza de traduz pelas belezas da imensidade, que não são menos admiráveis do que chamais belezas naturais.

236 .d) Sendo transitórios o estado desses mundos, a Terra terá um dia de estar entre eles?
Já esteve.

236.e) Em que época?
Durante a sua formação.

Nada existe de inútil na natureza: cada coisa tem a sua finalidade, a sua destinação; nada é vazio, tudo é habitado, a vida se expande por toda a parte. Assim, durante a longa série de séculos que se escoou antes da aparição do homem sobre a terra, durante os lentos períodos de transição atestados pelas camadas geológicas, antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos, sobre essa massa informe, nesse árido caos em que os elementos se confundiam, não havia ausência de vida. Seres que não tinham as nossas necessidades, nem as nossas sensações físicas, ali encontravam refúgio. Deus quis que, mesmo nesse estado imperfeito, ela servisse para alguma coisa. Quem, pois, ousaria dizer, entre os bilhões de mundos que circulam na imensidade, apenas um, um dos menores, perdido na multidão, teve o privilégio exclusivo de ser povoado? Qual seria a utilidade dos outros? Deus só os teria feito para recriar aos nossos olhos? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que brilha em todas as suas obras, inadmissíveis quando se pensa em todas que não podemos perceber. Ninguém poderá negar que há, nesta idéia dos mundos ainda impróprios para a vida material, entretanto povoados de seres apropriados ao seu estado, alguma coisa de grande e sublime, onde talvez se encontre a solução de mais de um problema.

Percepções, sensações e sofrimentos dos espíritos (LE 237 a 256)

237) A alma uma vez no mundo dos Espíritos, tem ainda as percepções que tinha nessa vida?
Sim, e outras que não possuía, porque o seu corpo era como um véu que a obscurecia. A inteligência é um atributo do Espírito, mas se manifesta mais livremente quando não tem entraves.

238) As percepções e os conhecimentos dos Espíritos são ilimitados? Sabem eles todas as coisas?
Quanto mais se aproximam da perfeição, mais sabem: se forem superiores sabem muito. Os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes em todos os assuntos.

293) Os Espíritos conhecem o princípio das coisas?
Conforme a sua elevação e sua pureza. Os Espíritos inferiores não sabem mais do que os homens.

240) Os Espíritos compreendem a duração como nós?
Não; e isso faz que não nos compreendamos sempre quando se trata de fixar datas ou épocas.
Os Espíritos vivem fora do tempo, tal como compreendemos; a duração , para eles, praticamente não existe e os séculos, são tão longos para nós, são aos seus olhos apenas instantes que desaparecem na eternidade, da mesma maneira que as desigualdades do solo se apagam e desaparecem, para aquele que se eleve no espaço.

241) Os Espíritos fazem do presente uma idéia mais precisa e mais justa do que nós?
Mais ou menos, como aquele que vê claramente tem uma idéia mais justa das coisas, do que o cego. Os Espíritos vêm o que não vedes e julgam diferente de vós. Mas ainda uma vez: isso depende da sua elevação.

242) Como têm os Espíritos o conhecimento do passado? Esse conhecimento é para eles ilimitado?
O passado, quando dele nos ocupamos, é um presente, precisamente como te lembras de uma coisa que te impressionou durante o teu exílio. Entretanto, como não temos mais o véu material que obscurece a tua inteligência, lembramo-nos das coisas que desapareceram para ti. Mas nem tudo os Espíritos conhecem, a começar pela sua própria criação.

243) Os Espíritos conhecem o futuro?
Depende, ainda, da sua perfeição. Quase sempre, nada mais fazem do que entrevê-lo, mas nem sempre têm a permissão de o revelar. Quando o vêem, ele lhes parece presente. O Espírito vê o futuro mais claro, à medida que se aproxima de Deus. Depois da morte, a alma vê a abarca de relance as suas migrações passadas, mas não pode ver o que Deus lhe prepara. Para isso, é necessário que esteja integrada nele, depois de muitas existências.

243.a) Os Espíritos chegados à perfeição absoluta têm completo conhecimento do futuro?
Completo não é o termo, porque Deus é único e soberano Senhor e ninguém o pode igualar.

244) Os Espíritos vêem a Deus?
Somente os Espíritos superiores o vêem e compreendem; os Espíritos inferiores o sentem e adivinham.

244.a) Quando um Espírito inferior diz que Deus lhe proíbe ou permite uma coisa, como sabe que a ordem vem de Deus?
Ele não vê a Deus mas sente a sua soberania, e quando uma coisa não deve ser feita ou uma palavra não deve ser dita, recebe uma intuição, uma advertência invisível, que o inibe de fazê-lo. Vós mesmos tendes pressentimentos que são para vós como advertências secretas, para fazerdes ou não alguma coisa. O mesmo acontece conosco mas em grau superior, pois compreendes que, sendo mais sutil do que a vossa a essência dos Espíritos, podemos receber mais facilmente as advertências divinas.

244.b) A ordem é transmitida diretamente por Deus, ou por intermédio de outros Espíritos?
Não vem diretamente de Deus, pois para comunicar-se com ele é preciso merecê-lo. Deus transmite as suas ordens pelos Espíritos que estão mais elevados em perfeição e instrução.

245) A vista dos Espíritos é circunscrita, como nos seres corpóreos?
Não, é uma faculdade geral.

246) Os Espíritos precisam de Luz para ver?
Vêem pela luz própria, sem necessidade de luz exterior; para eles não há trevas, a não ser aquelas em que podem encontrar-se por expiação.

247) Os Espíritos precisam transportar-se, para ver em dois lugares diferentes? Podem ver ao mesmo tempo num e noutro hemisfério do globo?
Como o Espírito se transporta com a rapidez do pensamento, podemos dizer que vê por toda parte de uma só vez. Seu pensamento pode irradiar e dirigir-se para muitos pontos ao mesmo tempo. Mas essa faculdade depende da sua pureza: quanto menos puro ele for, mais limitada é a sua vista; somente os Espíritos superiores podem ter visão de conjunto.
A faculdade de ver dos Espíritos, inerente à sua natureza, difunde-se por todo o seu ser, como a luz num corpo luminoso. É uma espécie de lucidez universal, que se estende a tudo, envolve simultaneamente o espaço, o tempo e as coisas e para a qual não há trevas nem obstáculos materiais. Compreende-se que assim deve ser, pois no homem a vista funciona através de um órgão que recebe a luz, e sem luz ele fica na obscuridade. Nos Espíritos, a faculdade de ver é um atributo próprio, que independe de qualquer agente exterior. A vista não precisa da luz.

248) O Espírito vê as coisas distintamente como nós?
Mais distintamente, porque a sua vista penetra o que a vossa não pode penetrar; nada a obscurece.

249) O Espírito percebe os sons?
Sim, e percebe até mesmo os que os vossos sentidos obtusos não podem perceber.

249.a) A faculdade de ouvir, como a de ver, está em todo o seu ser?
Todas as percepções são atributos do Espírito e fazem parte do seu ser. Quando ele se reveste de corpo material, elas se manifestam pelos meios orgânicos; mas, no estado de liberdade, não estão mais localizadas.

250) Sendo as percepções atributos do próprio Espírito, ele pode deixar de usá-las?
O Espírito só vê e ouve o que ele quiser, isto de uma maneira geral, e sobretudo para os Espíritos elevados. Os imperfeitos ouvem e vêem freqüentemente, queiram ou não, aquilo que pode ser útil ao seu melhoramento.

251) Os Espíritos são sensíveis à música?
Trata-se da vossa música? O que é ela perante a música celeste, essa harmonia da qual ninguém na Terra pode ter idéia? Uma é para a outra o que o canto do selvagem é para a suave melodia. Não obstante, os Espíritos vulgares podem provar um certo prazer ao ouvir a vossa música, porque não estão ainda capazes de compreender outra mais sublime. A música tem,para os Espíritos, encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. Refiro-me à música celeste, que é tudo quanto a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e mais suave.

252) Os Espíritos são sensíveis às belezas naturais?
As belezas naturais dos vários globos são tão diversas que estamos longe de as conhecer. Sim, são sensíveis a elas segundo as suas aptidões para as apreciar e compreender. Para os Espíritos elevados há belezas de conjunto, diante das quais se apagam, por assim dizer, as belezas dos detalhes.

253) Os Espíritos experimentam as nossas necessidades e os nossos sofrimentos físicos?
Eles o conhecem porque os sofreram, mas não os experimentam, como vós, porque são Espíritos.

254) Os Espíritos sentem fadiga e necessidade de repouso?
Não podem sentir a fadiga como a entendeis, e portanto não necessitam do repouso corporal, pois não possuem órgãos em que as forças tenham de ser restauradas. Mas o Espírito repousa, no sentido de não permanecer numa atividade constante. Ele não age de maneira material, porque a sua ação é toda intelectual e o seu repouso é todo moral. Há momentos em que o seu pensamento diminui de atividade e não se dirige a um objetivo determinado; este é um verdadeiro repouso, mas não se pode compará-lo ao do corpo. A espécie de fadiga que os Espíritos podem provar está na razão da sua inferioridade, pois quanto mais se elevam, de menos repouso necessitam.

255) Quando um Espírito diz que sofre, de que natureza é o seu sofrimento?
Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente que os sofrimentos físicos.

256) Como alguns Espíritos se queixam de frio ou calor?
Lembranças do que sofreram durante a vida e algumas vezes tão penosas como a própria realidade. Freqüentemente, é uma comparação que fazem, para exprimirem a sua situação. Quando se lembram do corpo, experimentam uma espécie de impressão, como quando se tira uma capa e algum tempo depois ainda se pensa estar com ela.

fonte:Literal do O Livro dos Espíritos - editado pela Lake

CURSO- TERCEIRA ORDEM



O Livro dos Espíritos - Livro Segundo Cap. 1 - questões 101

Terceira ordem - Espíritos imperfeitos


Características gerais. - Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões que se seguem.
Têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.
Nem todos são essencialmente maus; em alguns, há mais leviandade, inconseqüência e malícia que verdadeira maldade. Alguns não fazem nem o bem, nem o mal; mas somente pelo fato de não fazerem o bem, denotam sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram a ocasião de praticá-lo.
Podem aliar a inteligência à iniqüidade ou à malícia; mas qualquer que seja seu progresso intelectual, suas idéias são pouco elevadas e seus sentimentos mais ou menos abjetos.
Os conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita de que são portadores, são limitados e o pouco que sabem se confunde com as idéias e os preconceitos da vida corporal. Podem nos dar apenas noções falsas e in-completas daquele mundo, mas o observador atento encontra amiúde em suas comunicações, mesmo imperfeitas, a confirmação de grandes verdades ensinadas pelos Espíritos superiores.
Seu caráter se revela por sua linguagem. Todo Espírito que, nessas comunicações, manifesta um mau pensamento, pode ser situado na terceira ordem. Por conseqüência, todo mau pensamento que nos é sugerido, é proveniente de um Espírito dessa ordem.
Vêem a felicidade dos bons e essa visão é, para eles, um tormento constante, porque lhes faz provar todas as angústias advindas da inveja e do ciúme.
Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corporal e essa impressão é, às vezes, mais penosa que a realidade. Sofrem, portanto, em verdade, pelo mal que suportaram e pelo que têm feito aos outros. E, como sofrem por longo tempo, acreditam sofrer para sempre. Deus, para puni-los, quer que assim acreditem.

Pode-se dividi-los em cinco classes principais.

Décima classe: Espíritos impuros.
Estão inclinados ao mal e o fazem principal objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos pérfidos, instilando a discórdia e a desconfiança e tomam todas as máscaras para melhor enganar. Fixam-se nos indivíduos de caráter frágil, com o intuito de os fazer ceder às suas sugestões, impelindo-os, desta forma, à sua perda. Satisfazem-se por poderem retardar o seu adiantamento, ao fazê-los sucumbir ante as provas que sofrem.
Nas manifestações, reconhecemo-los por sua linguagem. A trivialidade e a grosseria das expressões, tanto nos Espíritos como nos homens, é sempre um indício de inferioridade moral, senão intelectual. Suas comunicações revelam a baixeza de suas inclinações e se tentam nos iludir ao falar de uma maneira sensata, não podem sustentar seu papel por muito tempo e acabam por trair sua origem.
Certos povos os têm considerado divindades malfazejas; outros os designam sob o nome de demônios, maus gênios, Espíritos do mal.
Quando encarnados, são inclinados a todos os vícios que engendram as paixões vis e degradantes: a sensualidade, a crueldade, a hipocrisia, a cupidez, a sórdida avareza. Fazem o mal pelo prazer de fazê-lo, freqüente-mente sem motivo. Por aversão ao bem, escolhem quase sempre suas vítimas entre as pessoas honestas. São flagelos para a Humanidade, em qualquer classe social a que pertençam e o verniz de civilização não os livra do opróbrio e da ignomínia.

Nona classe: Espíritos levianos.

São ignorantes, malignos, inconseqüentes e zombeteiros. Intrometem-se em tudo, respondem a tudo, sem consideração com a verdade. Comprazem-se por causar pequenas contrariedades, e pequenas alegrias; em induzir maliciosamente ao erro através da mistificação e travessuras. A esta classe, pertencem os Espíritos popularmente designados pelos nomes de galhofeiros, travessos, gnomos, duendes. Estão sob a dependência de Espíritos superiores, que deles se servem o mais das vezes, como fazemos com os criados.
Nas comunicações com os homens, sua linguagem é, freqüentemente, espirituosa e alegre, mas quase sempre sem profundidade. Apreendem as excentricidades e os ridículos humanos, que exprimem de forma mordaz e satírica. Se tomam nomes supostos é mais por malícia que por maldade.

Oitava classe: Espíritos pseudo-sábios.

Seus conhecimentos são muito amplos, mas acreditam saber mais do que em realidade sabem. Tendo realizado algum progresso em diversos ramos, sua linguagem tem um caráter sério que pode enganar quanto à sua capacidade real e elevação. Todavia, isso nada mais exprime que o reflexo dos preconceitos e das idéias sistemáticas que trouxeram da vida terrena. É uma mistura de algumas verdades ao lado dos erros mais absurdos, nos quais manifestam a presunção, o orgulho, a inveja, e a teimosia das quais não têm podido despojar-se.

Sétima classe: Espíritos neutros.

Não são bons o bastante para fazer o bem nem excessivamente maus para praticar o mal. Inclinam-se tanto para um, quanto para outro e não se elevam sobre a condição vulgar da humanidade, tanto para a moral quanto para a inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, saudosos das suas brincadeiras grosseiras.

Sexta classe: Espíritos batedores e perturbadores.

Esses Espíritos não formam, propriamente dito, uma classe distinta, no que diz respeito a suas qualidades pessoais. Podem pertencer a todas as classes da terceira ordem. Manifestam, freqüentemente, sua presença por efeitos sensíveis e físicos, tais como golpes, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do ar, etc. Por parecer mais apegados à matéria, são os principais agentes das vicissitudes dos elementos do globo, quer atuem sobre o ar, a água, o fogo, os corpos sólidos, quer nas entranhas da Terra. Reconhece-se que esses fenômenos não são ocasionados por uma causa fortuita e física, quando têm um caráter intencional e inteligente. Todos os Espíritos podem produzir esses fenômenos, mas os elevados os deixam, em geral, aos Espíritos subalternos, mais aptos às coisas materiais que às intelectuais. Quando os Espíritos superiores julgam que as manifestações desse gênero são úteis, servem-se dessa categoria de Espíritos como auxiliares.

Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. VIII -


Verdadeira pureza e mãos não lavadas


8. Então, os escribas e fariseus que tinham vindo de Jerusalém se aproximaram de Jesus, dizendo: Por que vossos discípulos violam a tradição dos antigos? Eles não lavam as mãos ao se alimentar.
Mas Jesus lhes respondeu: Por que vós mesmos transgredis o mandamento de Deus, pela vossa tradição? Porque Deus disse: Honrai a teu pai e a tua mãe, e esse outro: Que aquele que disser palavras ultrajantes a seu pai ou a sua mãe, seja punido com a morte. Mas vós dizeis: Qualquer um que disser a seu pai ou a sua mãe: Toda a oferta que faço a Deus te aproveitará a ti, terá satisfeito a lei, pois é certo que ele não honrará a seu pai ou a sua mãe. Desta ma-neira, tornastes inútil o mandamento de Deus, pela vossa tradição. Hipócritas! Profetizou bem Isaías, quando diz: Esse povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. É em vão que eles me honram, ensinando as doutrinas e as leis que vêm dos homens.
Depois, tendo chamado o povo, lhes disse: Não é o que entra pela boca o que torna imundo o homem, mas o que sai da boca do homem.
Então, seus discípulos se aproximaram dele e lhe disseram: Sabes que os Fariseus, tendo ouvido o que acabas de falar, ficaram escandalizados? Mas ele respondeu: Toda planta que o meu Pai não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os; são cegos conduzindo cegos. Se um cego conduz um outro, caem ambos no barranco. E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola. Jesus, porém, disse: Até vós estais ainda sem entender? Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e é lançado fora? Mas o que sai do coração, isso contamina o homem. O que sai da boca parte do coração, e é isso o que torna o homem imundo: é do coração que partem os maus pensa-mentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os frutos, os falsos testemunhos, as blasfêmias e as calúnias. São essas as coisas que tornam o homem imundo, e não o comer sem lavar as mãos. (Mateus, XV:20)
9. Enquanto ele falava, um fariseu o convidou para jantar em sua casa e Jesus, tendo ido até lá, sentou-se à mesa. O fariseu começou a pensar: Por que ele não lavou as mãos antes do jantar? Mas o Senhor lhe disse: Fariseu, vós tendes enorme cuidado em limpar o que está por fora do copo e do prato, mas o interior de vosso coração está cheio de rapina e maldade. Insensatos! Aquele que fez o que está de fora não fez também o que está por dentro? (Lucas, XI:37-40)
10. Os judeus haviam negligenciado os verdadeiros mandamentos de Deus, ligando-se à prática das leis estabelecidas pelos homens, e que os rígidos observadores faziam casos de consciência. O fundo, tão simples, tinha desaparecido sob a complicação da forma. Como estavam mais preocupados em observar os atos exteriores do que em se modificar moralmente, em lavar as mãos mais do que em limpar seu coração, os homens enganaram-se a si mesmos, acreditando-se quites com a justiça de Deus, por se conformarem com suas práticas, e continuavam como eram, sem se modificarem, pois lhes ensinavam que Deus nada lhes cobraria. Eis por que o profeta dizia: "É em vão que esse povo me honra com os lábios, ensinando máximas e mandamentos dos homens."
Assim foi com a doutrina moral do Cristo, que acabou sendo colocada em segundo plano, o que faz com que muitos cristãos - a exemplo dos antigos judeus - acreditem que sua salvação estaria mais assegurada pelas práticas exteriores do que pelas da moral. É a esses acréscimos, que os homens fizeram na lei de Deus, que Jesus se refere, quando disse: Toda a planta que o meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz.
A finalidade da religião é conduzir o homem a Deus. Mas o homem não chega a Deus, enquanto não se fizer perfeito, portanto, toda religião que não torna o homem melhor, não atende a esta finalidade. A religião na qual se crê poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa ou foi falseada em seu princípio. Esse é o resultado a que chegam todas aquelas em que a forma supera o fundo. A crença na eficácia dos símbolos exteriores é nula, se ela não impede assassinatos, adultérios, espoliações, calúnias, e prejudica o seu próximo. Ela cria supersticiosos, hipócritas e fanáticos, mas não homens de bem.
Portanto, não basta ter as aparências da pureza. É preciso, antes de tudo, ter pureza de coração.

CURSO-PERISPÍRITO



O Livro dos Espíritos - livro segundo - cap. I questões 93 a 95

Perispírito

Vive o Espírito propriamente dito sem cobertura alguma, ou, como pretendem alguns, envolto por uma substância qualquer?
"O Espírito é envolvido por uma substância, vaporosa para o seu conceito, todavia, muito densa para nós; suficientemente vaporosa contudo, para que o Espírito possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser."

Como o germe de um fruto é envolvido pelo perisperma, da mesma forma, o Espírito, propriamente dito, é envolvido por um envoltório que, por comparação, podemos chamar perispírito.
De onde o Espírito extrai esse envoltório semimaterial?

"Do fluido universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos. Ao passar de um mundo para outro, o Espírito troca o envoltório, como os homens trocam de vestimenta."Assim sendo, quando os Espíritos que habitam os mundos superiores vêm entre nós, tomam um perispírito mais grosseiro?
"É necessário que se revistam de sua matéria, como havíamos dito."

O envoltório semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?
"Sim, uma forma ao arbítrio do Espírito e é assim que ele lhes aparece, algumas vezes, seja nos sonhos, seja em estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e até mesmo palpável."

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VII

O que se deve entender por pobre de espírito - Aquele que se elevar será rebaixado

O que se deve entender por pobre de espírito

1. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus. (Mateus, V:3)
2. A incredulidade se diverte com esta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como com muitas outras coisas que não compreende. Entretanto, Jesus não se refere, aos pobres de espírito, como a homens desprovidos de inteligência, mas aos humildes. Ele diz que o Reino dos Céus é destes e não dos orgulhosos.
Os cientistas e intelectuais, segundo o mundo, têm geral-mente tão elevada opinião de si mesmos e de sua superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção. Concentrados sobre eles mesmos, não podem elevar-se até Deus. Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os, muitas vezes, a negar aquele que, sendo-lhes superior, pudesse rebaixá-los. Negam até mesmo a divindade ou, se consentem em admiti-la, contestam um de seus mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos de que são suficientes para bem governá-lo. Tomando sua inteligência por medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem crer na possibilidade daquilo que não compreendem. Quando se pronunciam sobre alguma coisa, seu julgamento é para eles inapelável.
Se não admitem o mundo invisível e um poder extra humano, não é porque isso esteja acima de sua capacidade, mas porque o seu orgulho se revolta ante a idéia de uma coisa a que não possam sobrepor-se, e que os faria descer de seu pedestal. Eis porque só têm sorrisos de desdém por tudo o que não seja deste mundo visível e tangível. Atribuem-se muita inteligência e conhecimento para crer em coisas que, segundo eles, são boas para os simples, considerando como pobres de espírito os que as levam a sério.
Entretanto, digam o que quiserem a esse respeito, terão de entrar, como os outros, neste mundo invisível que tanto ironizam. É assim que seus olhos serão abertos, e reconhecerão o erro. Mas Deus, sendo justo, não pode receber da mesma maneira aquele que desconheceu o seu poder e aquele que se submeteu humildemente às suas leis, nem tratá-los por igual.
Ao dizer que o Reino dos Céus pertence aos simples, Jesus ensina que ninguém é admitido sem a simplicidade de coração e a humildade de espírito; que o ignorante que possui essas qualidades será preferido ao sábio que crê mais em si mesmo do que em Deus. Em qualquer circunstância, coloca a humildade entre as virtudes que nos aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios que dele nos afastam. Isso por uma razão muito natural: a humildade é um ato de submissão a Deus, enquanto o orgulho é a revolta contra Ele. Mais vale, então, para a felicidade futura do homem, ser pobre de espírito, em relação ao mundo, e rico em qualidades morais.

Ler: O Livro dos Médiuns - Da Influência Moral do Médium - Cap. XX - questões 226 e 227.

Obras Póstumas- Manifestação dos Espíritos - O perispírito, princípio das manifestações- item. 10 a 13

Durante a encarnação, o Espírito conserva o seu perispírito; o corpo não lhe é senão o segundo invólucro, mais grosseiro, mais resistente, apropriado às funções que lhe incubem, e do qual o despoja a morte.
O perispírito é o intermediário do Espírito e do corpo; é o órgão transmissor de todas as sensações. Quando elas vêm do exterior, o corpo recebe a impressão, o perispírito transmite-a, e o Espírito, sensível e inteligente, recebe-a; quando o ato é da iniciativa do Espírito, pode-se dizer que este o quer, o perispírito o transmite e o corpo o executa.

11- O perispírito não é encerrado no corpo como em uma caixa. É expansível por sua natureza fluídica, irradia-se e forma em torno do corpo uma espécie de atmosfera, que o pensamento e a força de vontade podem ampliar mais ou menos. Segue-se daí que pessoas separadas por distâncias podem comunicar-se pelo perispírito e transmitir inconscientemente impressões e intuições.

12- O perispírito, como um dos elementos constitutivos do homem, desempenha importante papel em todos os fenômenos psicológicos e até certo ponto, nos fisiológicos e patológicos. Quando as ciências médicas levarem em conta a influência do elemento espiritual na economia, grandes passos terão dado e novos horizontes se lhes abrirão. Muitas causas de moléstias serão então descobertas, bem como poderosos meios de combatê-las.

13- É por meio do perispírito que os Espíritos agem sobre a matéria inerte e produzem os diferentes fenômenos das manifestações. Não lhes é obstáculo a sua natureza etérea, porque se sabe que os mais poderosos motores são os fluidos mais rarefeitos e os imponderáveis.
Não há pois que admirar ao vermos Espíritos, com o auxílio dessa alavanca, produzirem certos efeitos físicos, como sejam pancadas e ruídos de toda espécie, elevação de objetos pesados, transporte ou projeção deles no espaço. Para explicar esses fenômenos, não é preciso recorrer ao maravilhoso nem aos efeitos supernaturais.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CURSO-Atributos da Divindade


Atributos da Divindade e O Cristo Consolador Atributos da Divindade

(O Livro dos Espíritos - Livro Primeiro, cap. I, questões de 10 a 13)

Atributos da Divindade

Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?

"Não, esse é um sentido que lhe falta."

Será concedido ao homem, um dia, compreender o mistério da Divindade?

"Quando o seu Espírito não for mais obscurecido pela matéria e, por sua perfeição, tiver se aproximado dela, então a verá e compreenderá." A inferioridade das faculdades humanas não permite ao homem compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, ele o confundiu muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui. Entretanto, à medida que o seu senso moral se desenvolve, seu pensamento penetra mais a fundo na essência das coisas e ele adquire uma idéia mais justa e mais conforme à legítima razão, embora sempre incompleta."

Embora a natureza íntima de Deus seja impossível ao nosso entendimento, podemos estimar algumas de suas perfeições?

"Sim, algumas. O homem as compreende melhor, à medida que se eleva além da matéria; então, terá condições de compreendê-las."

Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberana-mente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?

"Sob o ponto de vista humano, sim, porque acredita-se tudo poder abarcar; mas há coisas além da inteligência do mais inteligente dos homens e para as quais a sua linguagem, limitada às suas idéias e às suas sensações, não tem forma de expressão. A razão lhes diz que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só de menos, ou que não fosse a um grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseqüência, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a qualquer vicissitude e não pode ter qualquer imperfeição que a imaginação possa conceber."

Deus é Eterno; se tivesse tido um começo, teria saído do nada ou teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.

É Imutável; pois se estivesse sujeito às mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade.

É Imaterial; sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria; de outro modo, Ele não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria.

É Único; se existissem vários deuses, não haveria unidade de visão nem de poder na ordenação do Universo.

É Todo-Poderoso; porque é único. Se não tivesse o poder soberano, haveria algo mais poderoso ou tão poderoso quanto Ele, que assim não teria feito todas as coisas e as que não fizesse seriam a obra de um outro Deus.

É Soberanamente Justo e Bom; a sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores coisas como nas maiores e essa sabedoria não nos permite duvidar da sua justiça nem da sua bondade.

Panteísmo (O Livro dos Espíritos - questões 14 à 16)

Deus é um ser distinto, ou seria, segundo opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?

"Se assim o fosse, Deus não existiria, porque seria o efeito e não a causa; Ele não pode ser, ao mesmo tempo, tanto uma quanto outra. Deus existe, não se pode duvidar, isso é essencial. Creiam-me, pois ir mais além seria lançar-se num labirinto de onde não se poderia sair. Este conhecimento não os tornaria melhores, mas porventura mais orgulhosos, porque acreditariam saber o que na realidade não sabem. Deixem, portanto, de lado todos esses sistemas e teorias; há muitas coisas que cabe aos homens desembaraçar-se. Isto lhes será mais útil do que pretender penetrar no que é impenetrável."

O que pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os planetas e sistemas do Universo seriam partes da Divindade, constituindo por seu conjunto, a própria Divindade, ou seja, o que presumir da doutrina panteísta?

"O homem, incapaz de tornar-se Deus, quer ao menos ser uma parte de Deus."

Os que professam essa doutrina pretextam nela encontrar a demonstração de alguns dos atributos de Deus. Os mundos sendo infinitos, Deus é, por isso mesmo, infinito; o vazio ou o nada não existindo em parte alguma, Deus está por toda a parte; estando Deus em toda a parte - pois que tudo é parte integrante de Deus - dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente.

O que se pode opor a este raciocínio?

"A razão. Reflita-se maduramente e não será difícil reconhecer-lhe o absurdo." Essa Doutrina faz de Deus um ser material que, embora, dotado de uma inteligência suprema, seria a nossa própria projeção, em larga escala. Se constituído de matéria que se transforma sem cessar, Deus não teria nenhuma estabilidade; estaria sujeito a todas as vicissitudes e necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não podemos ligar as propriedades da matéria à idéia de Deus, sem que o rebaixemos em nosso pensamento. Todas as sutilezas do sofisma não chegariam a resolver o problema de sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que Ele é, mas sabemos o que não pode ser, pois essa teoria opõe-se aos seus atributos; confunde a criatura com o criador, como se quiséssemos que uma máquina engenhosa fosse uma parte integrante do mecânico que a tenha concebido.

A inteligência de Deus se revela em Suas obras, como a de um pintor em seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, assim como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou (2)" .

(2) "Estamos com Deus e somos em Deus" - com esta frase, quiseram alguns que Baruch de Espinosa (1632-1677) estaria reafirmando o panteísmo. Entretanto, Espinosa quebra a rigidez panteísta, desmembrando o conceito em 2 momentos: Natura Naturans (Deus como Natureza Criadora) e Natura Naturata (Natureza Criada), realizando assim, a idéia embrionária existente no espírito de Descartes: um Deus imanente na Criação. (N. do E.).

O Cristo Consolador (O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. VI)

O jugo leve

1. Vinde a mim, vós todos que estais aflitos e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis o repouso de vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, XI:28-29-30)

2. Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perdas de entes queridos, encontram sua consolação na fé do futuro, e na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Para aquele que, ao contrário, nada espera depois desta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições pesam com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem amenizar sua amargura. Foi isto o que Jesus disse: "Vinde a mim todos vós que estais fatigados, e eu vos aliviarei." Entretanto, Jesus põe uma condição para a sua ajuda e para a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na própria lei que Ele ensina, seu jugo é a observação dessa lei. Mas esse jugo é leve e essa lei é suave, pois impõem como dever o amor e a caridade.

O Consolador prometido

3. Se me amais, guardai meus ensinamentos - e eu pedirei ao meu Pai e Ele vos enviará um outro consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, e nem o conhece. Mas, vós o conhecereis, pois Ele permanecerá convosco e estará em vós. - Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará relembrar de tudo o que eu vos disse. (João, XIV:15-17 e 26)

4. Jesus promete um outro Consolador: é o Espírito da Verdade - que o mundo ainda não conhece, pois não estava maduro para compreendê-lo - e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e lembrar aquilo que o Cristo disse. Se, então, o Espírito da Verdade deve vir mais tarde, para ensinar todas as coisas, é que o Cristo não disse tudo. Se ele fará lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.

O Espiritismo vem, no tempo certo, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo apenas disse em parábolas. O Cristo disse: "que ouçam aqueles que têm ouvidos para ouvir." O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, pois fala sem floreios nem alegorias. Levanta o véu propositadamente lançado sobre certos mistérios, vem, enfim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, dando uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores.

O Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, pois eles serão consolados". Mas como se pode ser feliz por sofrer se não se sabe porque se sofre? O Espiritismo mostra que a causa está nas existências anteriores e na própria destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Revela também o objetivo, dizendo que os sofrimentos são como as crises salutares que levam à cura, são a purificação que assegura a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e percebe que o sofrimento é justo. Ele sabe que esse sofrimento ajuda a sua evolução e o aceita sem lamentações, como o trabalhador aceita o trabalho que lhe assegura o salário. O Espiritismo lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida pungente não tem mais lugar na sua alma. Fazendo-o ver as coisas do alto, a importância das vicissitudes terrenas se perde no vasto e esplêndido horizonte que ele abarca, e a perspectiva da felicidade que o espera dá a ele paciência, resignação e coragem para ir até o fim do caminho.

Assim, o Espiritismo cumpre o que Jesus disse do Consolador Prometido: dá o conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e por que está na Terra, lembrança dos verdadeiros princípios da lei de Deus e consolação pela fé e pela esperança.

CURSO-O Evangelho no Lar


O Evangelho no Lar Disse Jesus: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai estou no meio deles". (Mateus 18:22)

O Evangelho no Lar possibilita atender as orientações de Jesus, porquanto se destina ao estudo dos Evangelhos, a fim de melhor compreender os seus ensinos e praticá-los.

Permite um momento de comunhão de idéias e sentimentos entre os familiares e Jesus, objetivando a conquista da harmonia da família.

Permite ainda a formação de um ambiente de paz, propício à elevação espiritual.

Durante O Evangelho no Lar, deve-se estudá-lo metodicamente. Para tal aconselha-se que esse estudo seja feito através da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, porque explica claramente inúmeras passagens evangélicas.

Por este motivo, nessas reuniões, o Evangelho deve ser lido e estudado de forma e seqüente.

Desaconselha-se a sua leitura abrindo O Evangelho ao acaso, evitando-se assim, criar crendices supersticiosas, de que procedendo, os Espíritos abrem na página apropriada para quem o abre, ou para os presentes, pois sabemos que em todas as demais páginas, nos advertem e nos orientam com toda a objetividade.

Lembremo-nos de que O Evangelho no Lar visa possibilitar-nos maiores conquistas morais e espirituais, com ele conseguimos mais facilmente a nossa reforma íntima, o que facilita expurgar as crendices e as superstições que ainda nos acompanham e que tanto nos têm prejudicado.

O Evangelho no Lar deve revestir-se da maior simplicidade, sem uso de qualquer forma exterior, o que daria um cunho de liturgia e de ritual, incompatíveis com o ensino de Jesus e da Doutrina Espírita.

Para a reunião deve-se obter o consenso dos familiares (mas o Evangelho no Lar também pode ser praticado por apenas uma pessoa, caso os familiares não queiram participar), convidando-os a estabelecer para tal um dia da semana, qualquer dia, mas sempre o mesmo. Também se escolherá uma hora, para que estejam presentes, evitando-se assim assumir outro compromisso para aquele dia e hora.
A reunião se processará da seguinte forma:

1- Prece inicial: simples, breve, objetiva, de maneira que o coração fale mais alto do que as palavras.

2- Leitura de pequeno trecho do Evangelho: Lido sempre de forma seqüente e metódica.

3- Comentar o trecho lido: comentar não é discutir, e sim expor o pensamento de cada um, da maneira como entendeu. Todos devem participar.

4- Vibrações: Com o recolhimento interior, emitir pensamentos e sentimentos elevados em favor dos que sofrem e para harmonização dos lares desajustados. Vibrar para o próprio lar.

5- Prece e encerramento: as mesmas recomendações feitas para a prece inicial.

As preces, a leitura e as vibrações podem ser feitas em rodízio.

O Evangelho no Lar não é uma sessão mediúnica ou de cura. Estas devem ocorrer nas Casas Espíritas.

O Evangelho no Lar é despojado de qualquer liturgia ou simbologia, por isso desaconselha-se o uso de velas, flores, toalhas brancas, defumadores, cujo uso passa a constituir uma cerimônia religiosa, um culto ou um ritual incompatíveis com a pureza do Cristianismo e da Doutrina Espírita.

O Evangelho no Lar é, na verdade, uma Escola de Jesus em que se aprende a Amar o próximo como a nós mesmos, para amar a Deus sobre todas as coisas.

CURSO-Objetivo da encarnação


O Livro dos Espíritos - Livro Segundo - Cap. II - questões 132 a 146

Objetivo da encarnação


Qual é o alvo da encarnação dos Espíritos?
"Deus a impõe com a finalidade de fazê-los chegar à perfeição. Os Espíritos passam pela experiência da encarnação visando objetivos; para uns, é uma expiação; para outros, uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, devem sofrer todas as vicissitudes da existência corporal. Esta é a expiação. A encarnação tem também um outro objetivo, que é o de colocar o Espírito em condições de cumprir sua parte na obra da criação. É para executá-la que, em cada mundo, toma um corpo, constituído de sua matéria essencial, a fim de nele cumprir as ordens de Deus. Desta forma, concorre ele à obra geral, avançando progressivamente."

A ação de seres corpóreos é necessária à marcha do Universo, mas Deus, em sua sabedoria, quis que, nessa mesma ação, encontrassem um meio de progredir e de aproximar-se dele. É assim que, por uma lei admirável da Providência, todas as coisas estão inter-relacionadas e tudo é solidário na Natureza.
É necessária a encarnação àqueles Espíritos que desde o princípio seguem o caminho do bem?

"Todos são criados simples e ignorantes, instruindo-se nas lutas e nas atribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não poderia fazer alguns felizes, sem fadigas nem trabalhos e, por conseqüência, sem mérito."

Mas então, para que serve, aos Espíritos, seguirem o caminho do bem, se isso não os isenta das penas da vida corporal?
"Chegam mais depressa ao objetivo. Por outro lado, as aflições da vida são, muitas vezes, a conseqüência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, menor o grau de sofrimento. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, avaro ou ambicioso, não sentirá os tormentos originários destes sentimentos."

Da alma e o Perispírito

O que é alma?
"Um Espírito encarnado."

O que era a alma antes de unir-se ao corpo?
"Um Espírito."

As almas e os Espíritos são, portanto, uma e a mesma coisa?
"Sim, as almas são os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível e que se reveste, temporariamente, de uma forma material para purificar-se e esclarecer-se."

Existe nos homens alguma coisa além da alma e do corpo?
"Há o liame que une alma e corpo."

Qual é a natureza desse liame?
"Semi-material. Em outras palavras, um meio-termo entre o Espírito e o corpo, necessário para que possam comunicar-se mutuamente. É por esse laço que Espírito e matéria agem em reciprocidade."

O homem é, assim, formado por três elementos essenciais. O primeiro, o corpo ou ser material, análogo aos dos animais e animado pelo mesmo princípio vital. O segundo elemento, a alma, Espírito encarnado cujo corpo é sua habitação. O princípio intermediário ou perispírito, terceiro elemento, é uma substância semi-material que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma e o corpo. Comparativamente, tais são, num fruto, a semente, a polpa e a casca.

É a alma independente do princípio vital?
"O corpo é apenas envoltório, sempre o repetimos."

Podem os corpos existir sem alma?
"Sim, no entanto, desde que o corpo falece, a alma o abandona. Antes do nascimento, não há uma união definitiva entre alma e corpo. Após essa união estabelecida, a morte do corpo rompe os laços que o unem à alma e esta o deixa. A vida orgânica pode vitalizar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica."

Que seria o nosso corpo se não houvesse alma?
"Uma massa de carne sem inteligência. Tudo o que se queira, menos um ser humano."

O mesmo Espírito pode encarnar-se em dois corpos diferentes simultaneamente?
"Não, o Espírito é indivisível e não pode animar simultaneamente dois seres diferentes #."

# Ver KARDEC, Allan, em "O Livro dos Médiuns", 2ª. Parte, c. VII - Bicorporeidade e Trans-figuração. (N. do E.)

O que pensar da opinião dos que supõe a alma como o princípio da vida material?
"É apenas uma questão de terminologia, com a qual absolutamente nada temos. Comecem por entender-se entre si ."

Alguns Espíritos e, antes deles certos filósofos, definiram a alma como: uma centelha anímica emanada do Gande Todo. Por que essa contradição?
"Não há contradição, tudo depende do sentido das palavras. Por que não ter uma só palavra para interpretar cada coisa?"

A palavra alma é empregada para exprimir coisas muito diferentes. Por vezes, uns chamam alma ao princípio da vida e, nessa acepção, é exato dizer, figuradamente, que a alma é uma centelha anímica emanada do Grande Todo. Essas últimas palavras referem-se à origem universal do princípio vital, em que cada ser absorve uma porção, que devolve ao todo após a morte. É importante notar que essa idéia não exclui absolutamente a de um ser moral distinto, que conserva sua individualidade, independente da matéria. É a este ser que chamamos, igualmente alma, e é nessa acepção que podemos dizer que a alma é um Espírito encarnado. Ao dar a ela definições diferentes, os Espíritos falaram em diferentes contextos. Em alguns casos, estavam sob a influência das próprias idéias terrenas de que estavam ainda mais ou menos imbuídos. Isso acontece porque a linguagem humana é insuficiente e não tem uma palavra para cada idéia e isso acarreta mal-entendidos e discussões. Eis porque os Espíritos superiores nos dizem para entendermo-nos, primeiro, sobre as palavras #".

# Ver na Introdução II, a explicação sobre a palavra alma. (N. do E.)

Que pensar da teoria segundo a qual a alma é subdividida em tantas partes, quantos são os músculos a presidir cada uma das funções do corpo?
"Isso depende, também, do sentido que atribuímos à palavra alma: se a entendemos como fluido vital, a teoria está certa. Se como Espírito encarnado, está incorreto. Temos dito que o Espírito é indivisível. Ele transmite o movimento aos órgãos pelo fluido intermediário, sem que, para isso, tenha que dividir-se."

No entanto, há Espíritos que deram essa definição?
"Os Espíritos ignorantes podem tomar o efeito pela causa."

A alma age no mundo material por intermédio dos órgãos. Estes, por sua vez, são animados pelo fluido vital que se reparte entre eles e, mais abundantemente, naqueles que são centros ou focos de atividade. Mas essa explicação não pode aplicar-se à alma considerada como o Espírito que habita o corpo durante a vida e o deixa na morte.

Há qualquer coisa de certo na acepção daqueles que pensam que a alma é exterior e envolve o corpo?
"A alma não está encerrada no corpo como o pássaro numa gaiola. Ela irradia e manifesta-se no exterior, como a luz através de um globo de vidro ou como o som em derredor de um centro sonoro. É assim que podemos dizer que ela é exterior, mas não devendo concluir com isso, que é o envoltório do corpo. A alma tem dois envoltórios: o primeiro, sutil e leve, denominado perispírito; o outro, mais denso, material e pesado: é o corpo. A al-ma é o centro desses envoltórios, como uma amêndoa na casca."

O que dizer de outra teoria segundo a qual a alma, na criança, completa-se a cada período da vida?
"O Espírito é apenas um. É pleno na criança como no adulto. São os órgãos ou instrumentos de manifestações da alma, que se desenvolvem e se completam. É ainda tomar o efeito pela causa."

Por que todos os Espíritos não definem a alma da mesma forma?
"Os Espíritos não são todos igualmente esclarecidos nessas questões. Há Espíritos ainda limitados que não compreendem as coisas abstratas. São como as crianças. Há também os Espíritos pseudo-sábios, que usam de subterfúgios e manipulam as palavras para se imporem, como acontece entre os homens encarnados. Também os Espíritos esclarecidos podem exprimir-se com termos diferentes que têm, no fundo, o mesmo valor, sobretudo quando se trata de coisas que sua linguagem humana é insuficiente para esclarecer; há, então, necessidade de figuras e de comparações, tomadas como realidade."

O que se deve entender por alma do mundo?
"É o princípio universal da vida e da inteligência, de onde nascem as individualidades. Mas os que se servem dessas palavras, freqüentemente não se compreendem. O significado do vocábulo alma é tão amplo que cada um a interpreta de acordo com seus conceitos e fantasias. Tem-se, por vezes, atribuído uma alma à Terra; mas por isto se deve entender o conjunto dos Espíritos abnegados que dirigem para o bem as ações de todos, quando são ouvidos, e que são, de certa maneira, os lugarestenentes de Deus na Terra."

Como se explica que tantos filósofos - antigos e modernos - tenham discutido amplamente sobre a Ciência psicológica sem haver alcançado a verdade?
"Esses homens foram os precursores da Doutrina Espírita eterna e prepararam o caminho. Eram homens e enganaram-se, porque tomaram suas idéias pessoais como a própria luz da verdade. Mas seus erros servem para evidenciá-la, através dos prós e contras de suas doutrinas. Aliás, entre esses erros encontram-se grandes verdades, que um estudo comparativo tornará compreensível."

A alma tem uma sede determinada e circunscrita no corpo?
"Não, mas ela está mais particularmente na cabeça, entre os grandes gênios e todos os que usam bastante o pensamento; e no coração dos que sentem intensamente, e cujas ações são dedicadas à Humanidade."

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Amai os vossos inimigos - cap. XII

Pagar o mal com o bem

1. Ouvistes o que foi dito: Amarás ao teu próximo e odiarás ao teu inimigos. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, fazei o bem àqueles que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso Pai, que está no céus, o qual faz nascer o sol sobre os bons e maus, e vir a chuva sobre os justos e os injustos - pois se amardes apenas aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os publicanos também não fazem assim? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Os pagãos também não o fazem? Eu vos digo que, se a vossa justiça não for maior e mais perfeita do que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus. (Mateus, V:20 e 43-47)

2. Se amardes somente os que vos amam, que mérito tereis, já que os maus também amam aqueles que os amam? E se fizerdes o bem somente para aqueles que vos fazem bem, que merecimento tereis, já que os pecadores fazem a mesma coisa? E se emprestardes apenas para aqueles de quem esperais receber, que mérito tereis, já que os maus se ajudam mutuamente para receber as mesmas vantagens? Mas para vós, amai os vossos inimigos, fazei o bem a todos e emprestai sem nada esperar e, então, vossa recompensa será muito grande e sereis os filhos do Altíssimo, pois Ele é bom até mesmo com os ingratos e os maus. Sede, pois, cheios de misericórdia, como vosso Pai também o é.(Lucas, VI:32-36)

3. Se o amor ao próximo é o princípio da caridade, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, pois essa virtude é uma das maiores vitórias conquistadas sobre o egoísmo e o orgulho.
Entretanto, geralmente nos equivocamos, quanto ao sentido da palavra amar, nessa circunstância. Jesus não quis dizer que se deve ter por um inimigo a mesma ternura que se tem por um irmão ou um amigo. A ternura pressupõe confiança. Ora, não podemos confiar naquele que se sabe que nos quer mal. Não se pode ter para com ele demonstrações de amizade, porque sabemos que é capaz de abusar delas. Entre pessoas que desconfiam umas das outras, não poderia existir os impulsos de simpatia existentes entre aqueles que comungam os mesmos pensamentos. Não se pode, enfim, ter a mesma satisfação ao encontrar um inimigo, que se tem com um amigo.
Esse sentimento, resulta de uma lei física, a da atração e repulsão de fluidos. O pensamento malévolo emite uma corrente fluídica cuja impressão é penosa; o pensamento caridoso nos envolve com eflúvios agradáveis. Daí a diferença de sensações que experimentamos com a aproximação de um amigo ou de um inimigo. Amar aos inimigos não pode, assim, significar que não se deve fazer nenhuma diferença entre eles e os amigos. Este preceito parece difícil, até mesmo impossível de praticar, porque acreditamos erroneamente que ele manda dar o mesmo lugar a ambos no coração. Se a pobreza das línguas humanas nos obriga a usarmos da mesma palavra, para expressar diversas formas de sentimento, a razão deve fazer as diferenças necessárias, segundo a situação.
Amar aos inimigos não é, pois, ter por eles uma afeição que não é natural, pois o contato de um inimigo faz bater o coração de maneira totalmente contrária ao contato de um amigo. Mas é não ter contra eles nenhum rancor, nem desejo de vingança. É perdoar sem segundas intenções e incondicionalmente, o mal que nos fazem. É não colocar nenhum obstáculo à reconciliação; é desejar-lhes o bem em lugar do mal; é alegrar-nos ao invés de aborrecer-nos com o bem que lhes acontece; é socorrê-los em caso de necessidade; é abster-nos, por palavras e atitudes, de tudo o que possa prejudicá-los. É, enfim, pagar-lhes o bem pelo mal, sem intenção de humilhá-los. Quem assim fizer, preenche as condições do mandamento: Amai aos vossos inimigos.

4. Amar aos inimigos é um absurdo para os incrédulos. Aquele para quem a vida presente é tudo, só vê em seu inimigo um ser pernicioso, a perturbar-lhe o sossego, e do qual apenas a morte pode libertar. Daí, o desejo de vingança. Não há nenhum interesse em perdoar, a não ser para satisfazer o seu orgulho aos olhos do mundo. Perdoar realmente, em alguns casos, lhe parece uma fraqueza indigna de si. Se não se vingar, ainda conserva o rancor e um secreto desejo de fazer o mal.
Para aquele que crê, e principalmente para o espírita, a maneira de ver é bem outra, pois observa as coisas com o olhar no passado e no futuro, percebendo que a vida presente é apenas um momento. Pela própria destinação da Terra, sabe que nela encontrará homens maus e perversos; que a maldade à qual está exposto faz parte das provas pelas quais deve passar, e o ponto de vista elevado no qual se coloca torna-lhe as vicissitudes menos amargas, quer venham dos homens ou das coisas. Se não lamenta as provas, não deve lamentar-se daqueles que delas são os instrumentos. Se, ao invés de lamentar, ele agradece a Deus por prová-lo, deve agradecer a mão que lhe fornece a ocasião de demonstrar a sua paciência e a sua resignação. Esse pensa-mento o dispõe naturalmente ao perdão. Ele sente, além disso, que quanto mais generoso for, mais crescerá aos seus próprios olhos e mais distante estará das investidas maldosas de seu inimigo.
O homem que ocupa uma posição de destaque no mundo não se ofende com os insultos daquele que é visto como seu inferior. Assim também com aquele que se eleva no mundo moral, acima da humanidade material. Ele compreende que o ódio e o rancor o aviltariam e o rebaixariam. Ora, para ser superior ao seu adversário, é preciso que ele tenha a alma maior, mais nobre, mais generosa